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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

1º ANO - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HISTÓRIA



AULAS 1 e 2          1º ANO
 
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HISTÓRIA
Em um determinado momento de sua existência, a espécie humana dá início ao seu processo de evolução e altera profundamente a sua forma de organização, inclusive sentindo a necessidade de interferir na natureza para adaptá-la às suas necessidades, nesse instante o homem começa a ter consciência sobre si mesmo.
Uma das grandes perguntas que os estudiosos têm feito é: como e quando ocorreu o surgimento da espécie humana? Como ocorreu a sua transformação? Os questionamentos são diversos.
Várias teorias foram e são formuladas tentando explicar o mistério da vida e a evolução da espécie humana. Entre elas merecem destaque:
1.       A teoria criacionista, na qual prevalece a visão religiosa. Segundo os criacionistas, o homem foi criado por Deus a sua imagem e semelhança, sem ter passado por nenhum processo de evolução que alterasse as suas características essenciais. Essa teoria é bastante discutida do ponto de vista científico.
2.       A teoria evolucionista, inaugurada pelo pesquisador inglês Charles Darwin, defende que a espécie humana é resultado de um longo processo de evolução e seleção natural. Essa teoria foi formulada no século XIX e vem sendo objeto de estudo até os dias atuais.

A HISTÓRIA COMO CIÊNCIA
A História é uma ciência, pois adota o método científico de pesquisa e procura estudar e compreender as relações humanas ao longo do tempo, ou seja, como os diversos grupos humanos se organizaram e interagiram com a natureza e com eles mesmos para garantir a sobrevivência da espécie. As diversas formas de organização, e todas as suas manifestações culturais, são objetos de estudo, análise e interpretação para a compreensão do passado, o entendimento do presente e até mesmo do futuro.
Ao longo dos séculos, a visão e os métodos de estudo da História passaram por várias fases. Na antiguidade, a História era um relato das batalhas, das vitórias e das grandes realizações dos chefes militares, reis e imperadores. Alguns poucos, os historiadores passaram a se preocupar com os sentimentos e a realidade das camadas dominadas da sociedade. Faziam relatos sobre a vida cotidiana, mas sem buscar a base documental e interpretativa dos fatos relatados.
Na Idade Média Ocidental, e até mesmo na época Moderna, a História manteve a sua base de relatos de grandes feitos, só que agora sob a forte e determinante influência religiosa que, até o século XVI, foi uma exclusividade católica.
A primeira grande mudança em relação ao ato histórico surge no século XVIII com o advento do Iluminismo, cujos integrantes se preocuparam com o entendimento científico, relegando a um plano menor as influências religiosas e a dos feitos dos grandes monarcas.
Os iluministas buscavam razões concretas, fundamentadas em uma base documental sólida, para a análise e interpretação dos acontecimentos. Efetivamente, ocorreu uma diversificação das fontes históricas, possibilitando uma ampliação do conhecimento e das interpretações sobre o passado humano. Foram incluídas novas fontes históricas, tais como: moedas, vestimentas, arquitetura, escultura, pintura, ferramentas, literatura, registros cartoriais. A História vai deixando de ser apenas um mero relato dos fatos, vai-se fazendo ciência.
Um grande passo em direção ao fortalecimento da História enquanto ciência ocorre no século XIX, com o advento de novos pensadores sociais. Três grandes correntes irão se destacar:
1.       A romântica, que tinha por base a grande epopeia humana, a ação do herói.
2.       A positivista, desenvolvida a partir das teorias de Augusto Comte, que defendia a ideia de ciência exata, na qual tudo estava condicionado à causa e ao efeito;
3.       A marxista, que enfatiza a fundamental importância das condições materiais de existência, ou seja, da economia para o estudo da trajetória das sociedades. As estruturas econômicas (a infraestrutura) condicionam as demais estruturas humanas (superestrutura). Enfatiza o choque de opostos – a luta de classes – como elemento fundamental para as transformações sociais.
No início do século XX (1929), tem início uma nova concepção histórica conhecida como Escola dos Annales. Ela rompe com a visão tradicional da História, pois propõe pensar o conhecimento histórico a partir de uma visão que aproxima cada vez mais a história conhecimento da história experiência. A História tornou-se interdisciplinar, aproximando-se de outras ciências sociais e abriu novas possibilidades para o entendimento do passado.
A partir dos Annales, novas fontes históricas foram incorporadas ao processo de pesquisa. Nasce a História vista de baixo, ou seja, do cotidiano, das mentalidades, da oralidade, da cultura, da vida privada, entre outras.
Segundo IDEL BECKER, em Pequena História da Civilização Ocidental“Marc Bloch, o destemido mártir da resistência francesa, é o nobre arauto da historiografia como artesanato: a História é um ofício – “o ofício de historiador”. Ele possuía uma nova visão: a teoria histórica devia ser construída e reconstruída, dentro da prática cotidiana. Lucien Febvre observou que “Bloch sabia melhor do que ninguém que o tempo não se detém e que os livros de História, para serem úteis, devem ser discutidos, saqueados, contraditos e continuamente corrigidos e revistos.” Palavras mais certas não poderiam ser escritas. Como Febvre acrescentou, “o homem terá de ser estúpido para se considerar infalível” (Carol Bark). Já o disse Croce: "Toda historiografia é contemporânea e, portanto, deve ser reescrita constantemente.”
Imaginemos. É o que historiadores sempre se veem obrigados a fazer. Seu papel é o de recolher vestígios, os traços deixados pelos homens do passado, de estabelecer, de criticar escrupulosamente um testemunho. Esses traços, contudo, principalmente aqueles deixados pelos pobres, pelo cotidiano da vida, são tênues, descontínuos. Para tempos muitos remotos, eles são raríssimos.
GEORGES DUBY. A Europa na Idade Média.

A PERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA
No século XIX, como resultado da explosão das ciências e do conhecimento, se desenvolvem novas disciplinas, entre elas a História, que passa a ser ministrada nas escolas como parte integrante do currículo. É necessária uma transformação na figura do historiador, levando ao aparecimento do professor de História e do livro didático. O professor, muitas vezes, acumula a função de pesquisador e escritor. Os países ganham a sua própria História. No Brasil, em 1838, foi criado o Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, com o objetivo de coligir, metodizar, publicar ou arquivar os documentos necessários para a História e a Geografia do Brasil...”
Circulando regularmente desde 1839, a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro é uma das mais longevas publicações especializadas do mundo ocidental. Destina-se a divulgar a produção do corpo social do Instituto, bem como contribuições de historiadores, geógrafos, antropólogos, sociólogos, arquitetos, etnólogos, arqueólogos, museólogos e documentalistas de um modo geral. Possui periodicidade trimensal, sendo o último número de cada ano reservado ao registro da vida acadêmica do IHGB e demais atividades institucionais. R.IHGB
Para facilitar a leitura e o ensino, a existência humana foi dividida em duas grandes fases: a Pré-História e a História, sendo esta dividida em quatro grandes blocos de tempo:
História Antiga: compreende as fases da Antiguidade Oriental e Ocidental. Tem como marco inicial o aparecimento das primeiras civilizações, por volta de 4500 anos a.C., e se estende até 476 d.C. quando ocorre a queda do Império Romano ocidental.
História Medieval: compreende o período que se estende da queda de Roma – 476 – até a queda de Constantinopla, capital do Império Bizantino em 1453.
História Moderna: estende-se desde a queda de Constantinopla, em 1453, até a Revolução Francesa, em 1789.
História Contemporânea: estende-se desde a Revolução Francesa, em 1789, até os dias atuais.
Vale ressaltar que essa divisão é apenas didática e aceita por um grupo de historiadores ocidentais.

O HISTORIADOR E O TEMPO
Para Fernand Braudel, a "História é a ciência do passado e do presente, um e outro inseparáveis".
Com base na afirmação de Braudel, é possível afirmar que o tempo e a função de historiador são inseparáveis. Assim sendo, os estudiosos tiveram a necessidade de dimensionar o tempo dos acontecimentos e, no mundo ocidental, aceita-se o calendário católico para o balisamento dos fatos. Assim, divide-se a História em antes e depois de Cristo


 

                                                                        a.C      d.C.
2000, 1500, 1000, 700, 500, 300, 100, 10, 1,    1, 10, 100, 300, 500, 700, 900, 1000, 1500, 2000, 2013
                                                                                  Nascimento de Cristo                                                                            

O calendário utilizado no mundo ocidental passou a ser usado em larga escala a partir de 1582, com uma reforma empreendida pelo papa Gregório XIII, em 1582, motivo pelo qual ficou conhecido como gregoriano. O calendário possui alguns erros de cálculo em relação às datas originais, um deles se refere ao ano do nascimento de Cristo, que segundo estudos mais recentes deve ter acontecido entre 4 a.C. a 7 a.C.     
Vale ressaltar que atualmente existem vários calendários em vigor em regiões e povos, como o povo judeu cujo calendário, que existe há mais de 3300 anos, ocorreu quando Deus mostrou a Moisés a Lua Nova, no mês de Nissan, duas semanas antes da libertação dos filhos de Israel do Egito, no ano 2448 após a Criação do Mundo.
Para os islâmicos, seguidores do Islamismo, o calendário começa com a Hégira, fuga de Maomé de Meca para Medina, que no calendário cristão ocorreu no ano de 622.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
A história dá “lições” na medida em que ensina a dúvida metódica, o rigor, em que é aprendizagem de uma crítica da informação. É isso que me faz pensar que a história (...) é a ‘escola do cidadão’, que ela contribui para formar pessoas cujas opiniões sejam mais livres, que sejam capazes de submeter as informações com que são bombardeadas a uma análise mais lúcida, (...) menos enredadas nas malhas de uma ideologia. Ela ensina a ler a complexidade do real.
Georges Duby & Guy Lardreau. Diálogos Sobre a Nova História

1. A partir do texto acima, julgue os itens abaixo sobre o conhecimento histórico.
(1) O conhecimento da história não se traduz no acúmulo de conhecimentos sobre acontecimentos do passado; ele os ultrapassa na busca da compreensão de suas causas e de suas interações recíprocas que formam o processo histórico.
(2) A reeleição de Fernando Henrique Cardoso para a Presidência, a recente desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar e o caráter conservador do Congresso Nacional são exemplos de fatos históricos.
(3) A história é um conhecimento científico, no sentido de que a ciência estabelece as causas definidas dos fenômenos e apresenta a capacidade de prever acontecimentos futuros.
(4) O trabalho do historiador é antes de mais nada a interpretação do real.
(5) Ideologia, de acordo com o texto, significa o conjunto das ideias acumuladas por uma sociedade ao longo do tempo.

Para Fernand Braudel a "História é a ciência do passado e do presente, um e outro inseparáveis". Outro historiador, Peter Burke, lembra que "por mais que lutemos arduamente para evitar os preconceitos associados a cor, credo, classe ou sexo, não podemos evitar olhar o passado de um ponto de vista particular". Já Edward H. Carr conceitua a História como "um processo contínuo de interação entre o historiador e seus fatos, um diálogo sem fim entre o presente e o passado".

2. Com o auxilio do texto, julgue os itens seguintes.
(1) Segundo os autores citados, o passado histórico tem vida própria, estando desvinculado das circunstâncias do tempo presente.
(2) Enquanto a História se ocupa do estudo dos atos humanos ao longo do tempo, a Geografia volta-se para a análise atemporal do espaço, desvinculando-o das ações empreendidas pelas sociedades.
(3) Mesmo que se volte para o estudo de um passado longínquo, o historiador não está livre de condicionamentos diversos ao investigar e escrever sobre o tema escolhido.
(4) Já que o passado não pode retornar, nem ser revivido, a História não pode ser reescrita.

3. (Fundação Universa/IFB) O atual avanço da chamada história cultural, ramo da historiografia conhecido desde fins do século XIX e que foi redescoberto nos anos 70 do século XX, inscreve-se em um contexto em que, como lembra Peter Burke, “é cada vez mais difícil dizer o que não faz parte da cultura”. Ante a dificuldade de defini-la, é correto afirmar que o campo em que atua o historiador cultural é, fundamentalmente, aquele voltado para
a) as relações sociais de produção.
b) as condições materiais de existência.
c) o simbólico e suas representações.
d) os sistemas de poder político.
e) a arte produzida coletivamente.

4.       Explique a importância do Marxismo para a produção historiográfica.
5.       Explique a diferença entre a história vista de cima e a história vista de baixo.



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